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Entenda a cobrança do fee fixo da XP Investimentos

Nos últimos meses, a conversa sobre remuneração no modelo fee based (“fee fixo”) ficou mais complicada no mercado de assessoria: parte do custo passa a ser “plataforma” e parte vira taxa combinada entre assessor e cliente. Se você não fizer a conta antes, corre o risco de estar reduzindo sua receita pela metade.

O que a XP cobra (fee de plataforma)

A cobrança do fee fixo será por faixa de patrimônio (PL):

  • R$ 0 a 1 milhão: 0,20% a.a. (20 bps)
  • R$ 1 a 3 milhões: 0,15% a.a. (15 bps)
  • Acima de R$ 3 milhões: 0,10% a.a. (10 bps)

O que o assessor pode cobrar do cliente

O assessor pode precificar o serviço entre 0,40% e 1,50% ao ano.

Só que aqui está o ponto: esse fee do assessor precisa “absorver” o custo da plataforma.

Exemplo simples:
Se você cobra 0,40% de um cliente com menos de R$ 1 milhão, e a plataforma cobra 0,20%, metade da sua receita já foi embora só para pagar o custo fixo da plataforma.

 

E os clientes que já estão no fee fixo? (carência + regra de saúde)

Para clientes que já estão no modelo:

  • Quem entrou até 31/01/2026 tem 1 ano de carência, até 31/01/2027.
  • A partir de 01/02/2027, seguem sem cobrança os assessores que atingirem média de 65 pontos no Índice de Saúde XP no 2º semestre de 2026.
  • A lógica de carência é semestral: se o assessor atingir (ou recuperar) a pontuação dentro de um semestre, a carência/cobrança vale no semestre seguinte.
  • Enquanto não houver cobrança do fee, mantém o cashback atual.

Para novos clientes, a aplicação do fee de plataforma passa a valer a partir de 01/02/2026, com equalização do cashback.

Índice de Saúde do Cliente: como funciona (e a regra de cada indicador).

 

O Índice de Saúde do Cliente é a média simples dos KPIs abaixo (cada um vai de 0 a 100).

Você tem 5 indicadores, então o total “teórico” é 500 pontos — mas o que importa é a média (0 a 100). A régua citada é 65 pontos.

1) Frequência de aportes (0 a 100)

Mede consistência de aporte nos últimos 12 meses.

Fórmula:
(Quantidade de meses aportando nos últimos 12 / 12) × 100

Ex.: aportou em 6 dos últimos 12 meses → 50 pontos.

 

2) Share of Wallet (0 a 100)

Mede quanto do patrimônio do cliente está com você/plataforma, versus o total que ele declara.

Fórmula:
AuC Total / PLA × 100

Ex.: 80% de share → 80 pontos.

 

3) Rentabilidade (0 a 100)

Aqui o foco é a rentabilidade líquida relativa ao CDI (últimos 12 meses), com “teto” de referência em 85% do CDI.

Fórmula:
(Rentabilidade Líquida Relativa ao CDI L12M / 85) × 100
Se o cliente estiver em 85% do CDI ou acima, faz 100 pontos.

Ex.: 30% do CDI → (30/85) × 100 = 35,3 pontos
Ex.: 90% do CDI → 100 pontos.

 

4) Diversificação (0 a 100)

Mede quantidade de “caixinhas/estratégias” na carteira.

Produtos/estratégias considerados: Renda Variável, Pré-fixado, Pós-fixado, Inflação, Fundos Listados, Internacional e Multimercado.

Fórmula:
(Quantidade de produtos/estratégias na carteira / 5) × 100

Ex.: 4 estratégias → 80 pontos.

 

5) Cross-sell (0 a 100)

Mede quantos produtos “adjacentes” o cliente tem, além de investimentos.

Produtos considerados: Conta Investimento, Conta Digital, Cartão, Previdência, Crédito, Consórcio, Seguros, Internacional e Câmbio.

Fórmula:
(Quantidade de produtos de cross-sell / 6) × 100
Se o cliente tiver 6 dos 9 possíveis, já bate 100 pontos.

Ex.: 5 produtos → (5/6) × 100 = 83,3 pontos.

 

O que muda na prática 

A recomendação é simples: faça a conta cliente a cliente.

Porque boa parte desses indicadores não está 100% na sua mão, depende de comportamento do cliente (aportar, concentrar patrimônio, manter disciplina, aceitar diversificação, contratar produtos). Ou seja: é responsabilidade dos dois.

Se a base não atingir a régua, a consequência prática é uma só: você vai precisar reajustar a cobrança para não perder remuneração.

Plano de ação 

  • Calcule o índice de saúde por cliente que esteja no fee fixo
  • Alinhe com os clientes sobre as novas regras para que todos estejam cientes
  • Crie um combinado claro com o cliente: o que é esperado dele e o que você entrega em troca.                        
  • Tenha uma política de reajuste: se não bater a régua, a taxa precisa subir — sem drama, com transparência.

No fim do dia, essa cobrança tende a favorecer quem já decidiu construir carreira com remuneração majoritariamente fee based. Na consultoria, o profissional não controla a plataforma, mas controla processo, método e valor entregue. E é isso que vai separar quem só “cobra” de quem realmente presta um serviço.

 

Principais dúvidas recebidas sobre a mudança

1. A profissão de assessor vai acabar?

Não. A profissão de assessor de investimentos tende a ficar cada vez mais nichada no modelo que é próprio da sua natureza, majoritário comissionamento e broker

 

2. Como sair da gerência da plataforma e gerenciar a própria vida?

A “gerência” da plataforma sobre modelos de remuneração e regras (como saúde do cliente e índices internos) é consequência natural dos contratos de exclusividade.

Não dá para receber incentivos financeiros e esperar que não existam cobranças. O caminho para sair desse modelo é a consultoria

 

3. Quantos profissionais migram da assessoria para consultoria?

Esses números não são tão transparente no mercado, devido aos profissionais certificados e não credenciados. Mas na última consolidação interna, os números atuais estão superando 25 profissionais por mês. Esse volume era cerca de 3x menor há dois anos e vem aumentando mês a mês.

 

4. Com Ancord consigo abrir a própria consultoria?

Não. Para atuar como consultor, é necessário ter uma das certificações: CPRO-I (antiga CEA), CFP, CNPI, CGA ou CFA (Level III), além de Ensino Superior completo.

 

5. O que preciso avaliar para mudar de AI para consultor?

Se você atua em uma assessoria que já possui consultoria e quer fazer esse movimento, o primeiro passo é entender as regras internas do seu grupo e da corretora.

Se a mudança for para a independência, é preciso avaliar os contratos atuais com a assessoria e sua capacidade de converter os clientes.

Estando tudo ok, você deve alterar seu vínculo na Ancord para “não atuante” e solicitar o descredenciamento (a suspensão não é suficiente). Após o deferimento do descredenciamento, você pode ingressar com o registro de Consultor PF.

 

6. Consigo acessar plataformas de Wealth Services com o cadastro de consultor PF?

Não. Para isso, é necessária uma Consultoria PJ. Para estruturar uma consultoria PJ, você vai precisar de, no mínimo, 2 profissionais para ocupar as diretorias.

 

Na AAWZ Wealth Service, você já nasce plugado em uma estrutura para escalar o negócio e, se fizer sentido, com capital para acelerar.
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