AAWZ Partners

Assessorias de investimentos podem valer 5-10% do AuC? 

Nos últimos meses estamos acompanhando um aumento significativo nos volumes de M&A no setor de assessoria – semana passada comentamos na matéria do Neofeed sobre este momento. De forma resumida, fizemos alguns comentários que geraram dúvidas: 

  • Qual o valuation dos últimos negócios?
  • Qual o tamanho das operações vendidas?
  • Como as operações estão sendo precificadas?
  • Os compradores estão pagando barato?

 

Para facilitar o debate, realizamos algumas simulações de valuation via fluxo de caixa descontado (DCF) que mostram como o valuation por múltiplo de AuC varia de acordo com as métricas de crescimento, margem LL e comissionamento médio. Vale reforçar que o valuation interno (partnership) muitas vezes deveria ser ao menos 3x menor que o DCF. 

Simulações de Valuation 

1º — Análise de sensibilidade: crescimento da receita × WACC (margem LL de 20%). 

2º — Análise de sensibilidade: comissão média × receita (carry médio de 10% a.a. + captação ~0,4%). 

3º — Análise de sensibilidade: margem LL × WACC (AuC médio crescendo 17% com carry de 10% + NNM).

Importância das Simulações 

Conforme comentamos na matéria do Neofeed, a operação e os principais sócios que não estiverem dispostos a colocar sangue e suor nos próximos anos para melhorar sua eficiência operacional (NNM × margem de lucro) devem ver o seu valuation cair, em função do custo de oportunidade de mercado e do gap frente aos concorrentes. 

Diferente do passado, em que o preço do negócio era “dado” por uma competição entre corretoras e por um valor esperado baseado em premissas de all time high, hoje o valor da sua assessoria depende muito mais de métricas individuais do que do “mercado”, conforme nossas simulações. 

Dito isso, o valuation das assessorias segue pressionado por três vetores principais: comissionamento médio, crescimento da custódia (AuC) e margem líquida da operação. 

Cenários de Valuation 

Testamos os drivers em simulações de DCF, variando o custo de capital entre 17% e 25%, fixando perpetuidade em 5%: 

  • Cenário 1 – Crescimento da receita líquida: único cenário em que valuation pode chegar a 10%. Necessita CAGR agressivo de 75% a 102% a.a., algo inviável no momento atual.
  • WaCC = 17% → ~75% a.a. 
  • WaCC = 19% → ~82% a.a. 
  • WaCC = 21% → ~89% a.a. 
  • WaCC = 23% → ~95,6% a.a. 
  • WaCC = 25% → ~102% a.a. 

 

Ou seja, é necessário crescer a receita de forma exponencial e sustentada, mantendo uma margem líquida estável em 20% — algo inviável diante dos investimentos necessários para sustentar o crescimento e o atual momento de mercado. 

  • Cenário 2 – Comissionamento médio: mesmo com repasses baixos, a pressão sobre margens impede valuation de superar 10% do AuC.
  • Cenário 3 – Margem líquida: mesmo ampliando eficiência para 30%, não alcança valuation próximo a 10% do AuC.

Como estão sendo precificados os negócios

  • Valuation – múltiplos atuais de 0,5% a 2% do AuC, variando conforme margem, crescimento e retenção.

  • Tamanho das operações – operações recentes com escritórios médios (AuC 2–4 bi).

  • Métricas além de caixa – governança, partnership, retenção de assessores e sinergias futuras.

  • Compradores pagando barato? – Na prática, o mercado saiu de um modelo “top-down”, em que XP/BTG definiam preços, para uma negociação mais racional e individual. Isso traz valuations para os cenários apresentados, com base na compra de fluxo de caixa, portanto, pela capacidade futura do negócio de gerar payback.

Estrutura de pagamento em M&A

É fundamental entender que, normalmente, a estrutura do pagamento pode ser dividida em:

  • Parcela inicial (upfront) – pode ser 100% em dinheiro ou mista (cash + equity).

  • Parcela diferida (earn-out) – atrelada à performance futura, podendo ser paga em dinheiro ou ações.

Por isso, ao projetar o fluxo de caixa é importante considerar premissas viáveis.

O Processo de M&A é Muito Mais do que Valuation

Valuation e preço são a parte mais objetiva do processo, mas não a única. Um deal entre assessorias envolve basicamente:

• Negociação comercial;
• Assinatura de termos entre assessorias;
• Ajustes de contrato com corretora parceira;
• Due diligence (financeira, jurídica, contábil, societária);
• Integração e retenção de assessores-chave.

A AAWZ diferencia-se por oferecer time multidisciplinar próprio (consultoria, contabilidade, jurídico e M&A) com experiência específica no setor, algo que nenhuma boutique de M&A no país possui.

O Risco Invisível: Partnership Mal Estruturado

Por fim, o sucesso do M&A não está no acordo sobre qual o DCF utilizar, mas no histórico societário. Partnership mal desenhado pode:

• Dificultar retenção de assessores-chave;
• Criar passivos ocultos (luvas já pagas, contratos desalinhados);
• Reduzir a chance de recebimento integral do earn-out.

O comprador sempre avalia como reterá os principais assessores. Isso não significa que o fundador ficará refém do time – é questão de governança, contratos e incentivos.

Na prática, a AAWZ muitas vezes atua antes de levar o deal aos compradores, ajudando a reestruturar o partnership interno e reduzir riscos de frustração no fechamento. Isso aumenta a chance de o vendedor receber integralmente e evita desgaste entre comprador e equipe.