O modelo de partnership teve seu início com o Goldman Sachs, ao permitir que os principais executivos se tornassem sócios da empresa, por meio do ganho de participação nos lucros e influência nas decisões estratégicas. O modelo de partnership do Goldman Sachs é amplamente reconhecido como uma das chaves para o sucesso e longevidade do banco de investimento.
No Brasil, o modelo ganhou tração com o Garantia e a Ambev, que, sob a liderança de Jorge Paulo Lemann e seus sócios, adotaram a cultura empresarial meritocrática influenciada pelo modelo de partnership apresentado pela Goldman Sachs. Essa filosofia também permeou o BTG Pactual e a XP., instituições financeiras que replicaram o conceito de partnership em suas operações, adaptando o modelo aos seus pilares culturais. Naturalmente, o modelo de partnership foi adaptado e adotado pelas assessorias de investimentos.
Cada empresa possui suas características específicas sobre o modelo e forma de operacionalizar o seu partnership, em conformidade com os pilares da sua cultura e objetivos a longo prazo. Em regra geral, as empresas realizam avaliações qualitativas e quantitativas dos potenciais novos sócios, para garantir o alinhamento cultural e a expectativa de entregas/desempenho.
O Partnership parte do pressuposto de uma cultura organizacional forte, bem definida e amplamente compreendida pelos sócios e colaboradores, garantindo que todos estejam fluindo para a mesma direção. Não basta a delimitação dos pilares da cultura sem a execução no dia a dia. A cultura tem influência significante pelo exemplo. O óbvio muitas vezes precisa ser repetido: a palavra convence, o exemplo arrasta.
Assim como na B3, onde temos ações de empresas focadas no pagamento de dividendos e empresas de equity/high growth, podemos ter o partnership adaptado para os dois objetivos distintos: dividendos e/ou equity.
No setor, o partnership inicial das empresas é geralmente modelado para a ideia deequity, em que os sócios buscam o crescimento exponencial do negócio (high growth), por meio do reinvestimento de caixa para expandir receita, margens e market share, e, por isso, pagam pouco ou nenhum dividendo.
Um modelo voltado ao equity busca atrair e reter os novos talentos, fornecendo um desconto sobre o valor de mercado da empresa, para que, em momentos oportunos, sejam realizados um ou mais eventos de liquidez do negócio e estes sócios possam participar.
O processo natural das empresas do setor após um evento de liquidez ou venda de parte relevante do capital social é a migração do foco do partnership desta sociedade para distribuição de dividendos proporcionais de tempos em tempos, já que os potenciais sócios capitalistas têm interesse em gerar um retorno ao investimento, que se dará com o pagamento de dividendos ou um novo evento de liquidez.
É importante destacar que o modelo de partnership deve variar conforme o momento e tamanho do seu negócio. Isto é, empresas em fases iniciais devem procurar simplificar o modelo de partnership e executá-lo de maneiralight, sem muitas burocracias.
Conforme o crescimento e desenvolvimento do negócio, é natural que você tenha que adaptar o seu modelo de partnership, de forma que acompanhe essa expansão. Empresas em estágio avançado, por sua vez, devem ter um modelo de partnership mais detalhado, criterioso e com processos devidamente definidos. Contudo, é importante ter o planejamento e gestão do seu captable desde o início do seu negócio.
Mas como a estrutura jurídica do Partnership impacta na retenção e atração de profissionais?
O Partnership é um organismo vivo e dinâmico, que busca refletir o presente e o futuro da sociedade, sem se amarrar ao passado. Esse dinamismo só é possível se você tiver a estrutura contratual correta.
Os contratos são o alicerce do Partnership, e sim! são imprescindíveis para garantir a segurança jurídica do seu negócio, mas não apenas da existência de contratos temos um Partnership meritocrático e transparente. Quando estruturamos os contratos do programa de partnership, partimos, inicialmente, do acordo de sócios, que define as principais regras do jogo entre os sócios e a sociedade, e dos sócios entre si.
Podemos resumir o acordo de sócios em três principais conceitos: Liquidez, Governança e Compromissos.
1 – Liquidez: Valuation interno, regras gerais de compra e venda de equity. Mecanismos de calls e puts, apuração de haveres e afins;
2 – Governança: Estruturação dos órgãos de governança; Quórum de deliberação em assembleia. Implementação de um Conselho de Administração ou Consultivo. Alçada dos administradores;
3 – Compromissos: Definição dos principais compromissos entre os sócios e a sociedade. Definição de regras de não aliciamento de profissionais e clientes, além de não concorrência, confidencialidade e responsabilização por condutas danosas.
Além do acordo de sócios, é importante ter os demais documentos e contratos internos que vão permitir a operacionalização do seu Partnership no dia a dia.
Por fim ainda, ter um Plano de Partnership, dispondo sobre a dinâmica do partnership, quais indicadores serão avaliados quantitativamente, como será o processo de apuração qualitativo e qual o pool disponível para o plano de partnership vigente.
Mais importante que ter regras de prateleiras ou acordos replicados de outras operações, é ter documentos que firmem a regra do jogo de forma clara e direta, estruturados sob medida para a sua operação, trazendo mais segurança jurídica para a empresa e seus sócios. Contratos sem “pegadinhas”, reduzem os riscos e fortalecem a reputação do seu negócio no mercado. A diferenciação da sua empresa começa na experiência e na comunicação com os profissionais.
A verdade é que a estrutura jurídica também serve como mecanismo de atração e retenção de talentos, quando você estipula um valuation interno atrativo, define regras transparentes sobre a origem e “propriedade” da carteira de clientes, concede além de equity, fornecer direitos políticos, estrutura os processos e documenta o plano de partnership, você torna o seu negócio mais profissional e, consequentemente, atrativo aos olhos dos profissionais do mercado.
Com a Plataforma de partnership, você disponibiliza aos seus sócios a visão do captable, valor do equity, evolução do valuation interno no decorrer do tempo, contratos assinados pelo partner, período de lock-up das quotas/ações, valores em aberto em razão do partnership, trazendo mais transparência para o seu time e sua operação.
A verdade é que um Partnership funcional é o resultado de uma série de decisões estratégicas. Assim, é necessário além de uma estrutura contratual robusta para garantir segurança jurídica e transparência, ter regras e procedimentos para tangibilizar as avaliações quanti-qualitativas.
O módulo de Gestão e Desempenho da nossa plataforma pode ser um bom aliado. Por meio dele, é possível acompanhar o desenvolvimento do profissional como um todo, analisando o seu desempenho qualitativo ao longo do tempo.
Isso ocorre por meio da construção de uma rotina de reuniões 1:1 entre líderes e liderados, definição da frequência mínima e roteiros que deverão ser seguidos e documentados, o que também impactará em feedbacks baseados em dados e alinhamentos anteriores.
Ao se comprometer com esse processo e com o desenvolvimento do seu time, baseado em dados registrados mensalmente e tratando-os de forma analítica e estratégica, você adquire uma compreensão mais abrangente do desempenho da equipe, garantindo maior assertividade e meritocracia para o seu Partnership, e isso reflete na forma em que o escritório comunica o seu programa de Partnership aos sócios e profissionais da sociedade.
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