Matéria originalmente publicada pela Broadcast, Agência Estado, por Bruna Camargo e Karla Spotorno, em 29 de janeiro de 2026.
A decisão da XP de implementar uma sobretaxa sobre escritórios de assessoria que operam no modelo de fee fixo passou a dividir opiniões no mercado de investimentos. A medida surge em meio a uma transição estrutural do setor em direção a modelos de remuneração mais transparentes, impulsionada por mudanças regulatórias da CVM.
Segundo a reportagem, a nova política diferencia a cobrança entre o estoque atual de clientes e os novos clientes. Para clientes que aderirem ao fee fixo até janeiro de 2026, haverá isenção da taxa, condicionada ao cumprimento de critérios de qualidade definidos pela plataforma. Já para novos clientes, a sobretaxa passa a incidir a partir de fevereiro de 2026, com percentuais que variam conforme o volume sob custódia.
A matéria destaca que, embora parte do mercado veja a política como um movimento de isonomia entre os modelos de assessoria e consultoria, há preocupação com os impactos econômicos da nova medida. Entre os pontos levantados estão a pressão sobre a receita dos escritórios, a necessidade de revisão de precificação e os possíveis reflexos no custo final para o investidor.
Para Filipe Medeiros, CEO da AAWZ, a preservação do estoque sem incidência da sobretaxa é um ponto positivo por evitar impacto imediato na receita dos profissionais e escritórios. Por outro lado, ele avalia que, no médio e longo prazo, o novo modelo tende a elevar os custos para o cliente final e a influenciar decisões estratégicas relevantes. Segundo Medeiros, esse cenário pode estimular a migração de parte do mercado para o modelo de consultoria CVM, no qual não há intervenção direta das corretoras sobre a forma de cobrança.
Análise complementar
Os efeitos práticos dessa mudança, bem como seus desdobramentos estruturais para assessorias, consultorias e clientes, foram aprofundados por Filipe Medeiros em uma live realizada nesta sexta-feira (30). No encontro, ele detalha os incentivos econômicos por trás da nova regra, os possíveis impactos no posicionamento dos escritórios e como o movimento se conecta a uma transformação mais ampla do mercado de investimentos no Brasil.
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Fonte: Broadcast, Agência Estado