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Por que o Private Equity Não Entrou no Mercado de Assessoria de Investimentos Brasileiro | AAWZ Partners

Por que o Private Equity Não Entrou no Mercado de Assessoria de Investimentos Brasileiro

Nos Estados Unidos em 2025, o Private Equity estava presente em aproximadamente 75% a 80% de todos os deals de M&A entre assessorias de investimentos. As 299 RIAs com participação de PE controlam quase US$6 trilhões em ativos — 23% de toda a indústria — apesar de representarem apenas 3,7% das firmas. A taxa de crescimento das RIAs PE-backed foi de 40,6% ao ano em CAGR, contra 34% das firmas sem PE. No Brasil, a participação do Private Equity em operações de M&A entre assessorias de investimentos é de menos de 5% — quase zero. O Relatório M&A AAWZ 1T 2026 documenta os motivos reais por que isso acontece — e o que precisa mudar para que o Brasil percorra a mesma trajetória que transformou o mercado americano. Essa análise é importante para qualquer escritório que pensa em posicionamento estratégico no ciclo de consolidação.

Como o PE Transformou o Mercado Americano de Assessorias

Antes de 2010, o mercado americano de RIAs era uma indústria artesanal. Não existia mercado de liquidez para equity de assessoras. As transações eram informais: um advisor aposentando vendia para um colega ou sócio junior, frequentemente com financiamento do próprio vendedor. Múltiplos típicos eram de 3x a 5x EBITDA. Não havia bancos de investimento dedicados ao setor.

Os primeiros movimentos vieram de empreendedores, não de fundos. A Focus Financial Partners (fundada em 2004 com capital da Summit Partners), a United Capital (2004, com backing de Bessemer) e a HighTower Advisors (2007) criaram os primeiros modelos de agregação — firmas que adquiriam RIAs menores e as integravam sob uma plataforma comum. O ponto de inflexão veio em 2015, quando a Genstar Capital adquiriu a Mercer Advisors com US$8 bilhões em AUM. Sob gestão de PE, a Mercer cresceu de US$5,7 bilhões para US$48 bilhões, completando mais de 75 aquisições.

O momento definitivo foi julho de 2018: o IPO da Focus Financial na Nasdaq, que levantou US$615 milhões a um valor de US$3,78 bilhões. Foi a prova de conceito do modelo inteiro — PE pegou uma indústria fragmentada, profissionalizou-a e criou uma saída de mercado público. A partir daí, o fluxo de capital institucional para o setor se tornou estrutural. Em 2025, PE está em 75% a 80% de todos os deals de M&A entre assessorias americanas, e o múltiplo mediano de EBITDA ajustado subiu para 11x — contra 3x a 5x na era pré-PE.

Por que o Private Equity Não Entrou no Brasil

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O mercado brasileiro de assessorias esperava que, após a Resolução CVM 178/179, abrissem janelas para investimentos de PE. Não aconteceu. O Relatório M&A AAWZ 1T 2026 identifica três razões estruturais que explicam por que o Brasil permanece com participação de PE abaixo de 5% em operações de M&A.

A primeira razão é a dependência contratual com corretoras. Diferentemente das RIAs americanas — que custodiavam na Schwab ou na Fidelity com liberdade total de transferência — as assessorias brasileiras operam sob contratos pesados com corretoras (XP, BTG, etc.) que incluem cláusulas de exclusividade, multas por migração e restrições de transferência de custódia. Essas cláusulas criam dependência estrutural que inviabiliza o modelo clássico de PE — comprar, profissionalizar e vender. Um fundo de PE não consegue executar a tese de “comprar e melhorar” se o ativo principal (a custódia) pode ser perdido se a corretora não aprovar a transação. No mercado americano, o advisor decide livremente. No Brasil, a estrutura de aprovação de M&A depende da corretora parceira.

A segunda razão é o conflito de interesse entre corretoras e PE. Corretoras e fundos de PE com interesse em wealth management não são aliados naturais — são rivais potenciais. Pedir para uma corretora aceitar que um fundo de PE, com interesses estratégicos próprios, entre como sócio de um escritório que distribui produtos dessa corretora é pedir para o parceiro comercial principal aceitar um concorrente na relação. As corretoras não têm incentivo estrutural para facilitar essa entrada — e sem a aprovação da corretora, o deal não fecha.

A terceira razão é a natureza do interesse dos fundos brasileiros. Muitos fundos de PE que olharam para assessorias no Brasil não olharam com objetivo de criar valor via investment (value investing), mas sim como veículo de distribuição de seus próprios produtos. Essa diferença de objetivo é fundamental: quem compra para distribuir não compra para criar e vender — o que elimina a lógica de saída que torna PE viável como investidor de prazo definido.

A Diferença Estrutural entre Assessoria e Consultoria de Investimentos

O Relatório M&A AAWZ 1T 2026 aponta que o modelo de consultoria CVM (Resolução CVM 19) pode percorrer um caminho diferente do modelo de assessoria em relação ao PE — precisamente porque não tem a dependência estrutural de corretora que bloqueia PE das assessorias.

Consultorias independentes possuem uma vantagem estrutural que assessorias não têm: independência para ter valor de equity real. Assessorias, por estarem vinculadas contratualmente a uma corretora, têm valor de contrato e retenção de base — não equity no sentido clássico do termo. O “ativo” de uma assessoria é, na prática, o contrato com a corretora e a capacidade de manter clientes e profissionais na base.

Consultorias independentes, por outro lado, têm equity que não depende da aprovação de terceiro para transferência. É o modelo mais próximo das RIAs americanas que atraíram PE — e, por isso, pode ser o primeiro a capturar interesse institucional quando o mercado brasileiro amadurecer o suficiente. A contrapartida é que compradores de consultorias olham lucro — não apenas receita —, exigindo que o modelo seja lucrativo na última linha, não apenas gerador de receita com margem negativa ou nula.

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O Relatório M&A AAWZ 1T 2026 organiza o comparativo Brasil-EUA em termos objetivos. No Brasil, o múltiplo EBITDA de firmas pequenas é 5x-8x; nos EUA, 8x-11x. Para firmas médias, Brasil opera a 8x-12x; EUA a 10x-15x. Plataformas brasileiras chegam a 10x-15x; americanas equivalentes alcançam 15x-25x. A participação de PE nos deals é de menos de 5% no Brasil contra 75%-80% nos EUA. O volume anual de deals é de 21 no Brasil (2025) contra 466 nos EUA (2025). O AUM controlado por PE é marginal no Brasil; nos EUA, PE-backed RIAs controlam aproximadamente US$6 trilhões — 23% da indústria.

O mercado brasileiro está caminhando na mesma direção dos EUA com atraso de 5 a 10 anos. A trajetória americana mostra que, quando o PE descobre o setor, o múltiplo mediano dobra em menos de uma década — de 3x-5x EBITDA para 9x-11x. A professionalização das operações, a governança e a independência de custódia são os pré-requisitos que atraem esse capital. O mercado brasileiro que conseguir remover as barreiras estruturais — os contratos pesados de corretora — está posicionado para receber a mesma onda que transformou os EUA.

O que Isso Muda para Escritórios que Estão Planejando o Futuro

Para escritórios independentes que estão pensando em M&A nos próximos anos, o cenário de ausência de PE tem duas implicações práticas. A primeira é que os compradores disponíveis hoje são corretoras e plataformas (XP, BTG, Safra) ou escritórios médios-grandes com backing institucional — não fundos de PE com perspectiva de valorização de 5x em 7 anos. Isso limita o perfil de compradores disponíveis e define a lógica de negociação: compradores estratégicos pagam por retenção de canal e acesso a custódia, não pelo potencial de crescimento futuro que um fundo de PE pagaria.

A segunda implicação é de posicionamento para o futuro. Escritórios que estão construindo agora as características que atraem PE — receita recorrente (fee-based), independência de sócio fundador, governança documentada, crescimento orgânico sustentável — estão se posicionando para a onda que ainda não chegou ao Brasil. Quando o PE encontrar forma de entrar no mercado brasileiro — seja via modelo de consultoria independente, seja via mudança regulatória nos contratos de corretora — os escritórios com estrutura profissionalizada serão os primeiros a receber oferta com prêmio.

O valuation de uma assessoria hoje é calculado em múltiplos de EBITDA de 5x a 12x no Brasil. A perspectiva americana, com PE dominante, sugere que esse teto pode subir significativamente à medida que o mercado amadurece. O timing dessa convergência é incerto — mas a direção não é.

Perguntas Frequentes sobre Private Equity e Assessorias de Investimentos

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As perguntas abaixo reúnem as principais dúvidas sobre a relação entre Private Equity e o mercado de assessorias de investimentos no Brasil. As respostas são fundamentadas nos dados do Relatório M&A AAWZ 1T 2026.

Por que o Private Equity não entrou no mercado de assessoria de investimentos no Brasil?

Três razões estruturais explicam: (1) contratos de exclusividade com corretoras que criam dependência e bloqueiam a transferência de custódia — sem a aprovação da corretora, o deal de PE não fecha; (2) conflito de interesse entre corretoras e PE, já que as corretoras não têm incentivo para facilitar a entrada de um parceiro estratégico com interesses próprios na relação; e (3) muitos fundos brasileiros que olharam para o setor o fizeram com objetivo de distribuição de produtos, não de criação e venda de valor — o que elimina a lógica de saída que viabiliza PE como investidor de prazo definido.

Qual é a participação do PE nos deals de M&A de assessorias nos EUA?

Em 2025, PE estava presente em aproximadamente 75% a 80% de todos os deals de M&A entre RIAs americanas. As 299 RIAs com participação PE representam apenas 3,7% das firmas, mas controlam quase US$6 trilhões em ativos — 23% de toda a indústria. A taxa de crescimento composta das RIAs PE-backed foi de 40,6% ao ano, contra 34% das firmas sem PE. O impacto do PE também é visível nos múltiplos: antes de 2010, deals eram feitos a 3x-5x EBITDA; em 2025, a mediana é de 11x.

O modelo de consultoria independente (CVM 19) tem mais chance de atrair PE do que o modelo de assessoria?

Sim. Consultorias independentes têm independência de custódia — não dependem de aprovação de corretora para transfer de ativos — o que as torna estruturalmente mais próximas das RIAs americanas que atraíram PE. Assessorias dependem de contrato de corretora, que cria barreira para PE. A contrapartida é que compradores de consultorias exigem lucratividade real na última linha — o modelo precisa se pagar sozinho, ao contrário de assessorias onde compradores estratégicos (corretoras) pagam por acesso à base de distribuição.

O mercado brasileiro vai atrair PE nos próximos anos?

O Relatório M&A AAWZ 1T 2026 coloca o Brasil 5 a 10 anos atrás da trajetória americana. A convergência depende de dois fatores: evolução dos contratos com corretoras para permitir transferência mais livre de custódia, e maturação do setor para gerar operações com escala, governança e lucratividade suficientes para atrair capital institucional. Escritórios que estão construindo agora as características que atraem PE — receita recorrente, independência de sócio fundador, crescimento documentado — estão se posicionando para essa onda, mesmo que o timing de chegada seja incerto.

O que o crescimento do PE nos EUA indica para valuations no Brasil?

A trajetória americana sugere que múltiplos EBITDA tendem a subir à medida que PE entra no mercado. Nos EUA, o múltiplo mediano foi de 3x-5x antes de 2010 e está em 11x em 2025. No Brasil, o range atual para firmas médias é 8x-12x — ainda abaixo do equivalente americano de 10x-15x. A perspectiva de convergência de múltiplos é real, mas exige que o setor remova as barreiras estruturais que afastam PE hoje. Escritórios que chegarem nesse momento com governança e estrutura profissionalizada tenderão a capturar os maiores prêmios.

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