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M&A em Assessoria de Investimentos: 21 Operações no Brasil em 2025 | AAWZ Partners

M&A em Assessoria de Investimentos: 21 Operações no Brasil em 2025

Em 2024, o mercado brasileiro de M&A entre assessorias de investimentos registrou apenas 11 operações — o menor volume desde 2021. Em 2025, foram 21 — crescimento de 91% em relação ao ano anterior, com atividade consistente em todos os quatro trimestres. Os dados constam no Relatório M&A AAWZ 1T 2026, que documenta 91 movimentações desde o terceiro trimestre de 2020 e 78 assessorias distintas envolvidas. Para entender o que esse dado significa — e o que ele indica para o ciclo atual de M&A em assessoria de investimentos —, é necessário entender o que mudou entre 2024 e 2025, e o que está em jogo nos próximos 18 meses. O ponto de partida para qualquer análise de M&A é entender o valuation da assessoria de investimentos — a variável que define a faixa de múltiplos em que as negociações acontecem.

O Panorama do M&A em Assessoria de Investimentos no Brasil em 2025

O mercado brasileiro de fusões e aquisições entre assessorias de investimentos passou por três ciclos distintos desde 2021. O primeiro, em 2021, registrou 23 operações no contexto de euforia pós-IPO da XP e múltiplos elevados. O segundo, em 2022-2024, foi marcado por retração: 12 operações em 2022, retomada para 24 em 2023 (o recorde até então), e queda abrupta para 11 em 2024, causada por desalinhamento de expectativas de valuation entre compradores e vendedores em ambiente de juros elevados.

O padrão histórico indica ciclos de dois anos — um ano forte seguido de desaceleração. Mas 2025 quebrou parcialmente esse padrão ao apresentar retomada consistente em todos os trimestres: 6 operações no T1, 3 no T2, 6 no T3 e 6 no T4. A consistência trimestral é o dado mais relevante — ela sugere maturação estrutural, não apenas efeito de um trimestre específico. O principal fator para a retomada foi o realinhamento de expectativas: compradores e vendedores aceitaram que os múltiplos da primeira onda não se sustentam no cenário atual, e o ajuste de ambos os lados foi o que permitiu o fechamento do volume recorde de 2025.

A Corrida dos R$100 Bilhões — os Números que Explicam a Pressão por M&A

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O principal driver do ciclo atual de M&A não é oportunismo financeiro — é necessidade estratégica. O levantamento da AAWZ mapeou pelo menos 12 assessorias que declararam publicamente metas ambiciosas de custódia em veículos como NeoFeed, Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea e Brazil Journal. A soma das metas declaradas ultrapassa R$1,235 trilhão.

O problema é que o mercado B2B de pessoas físicas totalizava aproximadamente R$1,02 trilhão em custódia no fim de 2025, distribuídos em 1.284 escritórios com 16.792 assessores. A soma das metas das 12 assessorias supera o tamanho do mercado inteiro. Isso não é matematicamente possível por crescimento orgânico — e é exatamente essa impossibilidade que força o M&A como instrumento de crescimento.

O Relatório calcula o crescimento orgânico esperado usando premissas conservadoras: captação líquida de 0,3% ao mês sobre a base e carry de mercado de 10% ao ano. Combinadas, essas variáveis geram crescimento orgânico de aproximadamente 13,7% ao ano. Para o cluster das 11 assessorias maiores (excluindo metas estatisticamente irrealistas), o crescimento orgânico projetado em 4 anos cobre R$494 bilhões do gap de R$579 bilhões entre AuC atual (R$377 bilhões) e meta declarada (R$1,135 trilhão). O restante — quase R$500 bilhões — só pode vir via M&A. E para financiar esse M&A, as 11 assessorias precisariam desembolsar aproximadamente R$2,5 bilhões em caixa no upfront (a 0,5% do AuC).

A capacidade real estimada pelo Relatório é de R$1,7 bilhão — formada por caixa disponível remanescente, geração de caixa livre nos próximos 4 anos e capital de corretoras (XP, BTG e outros). O gap de financiamento é de R$800 milhões. Os números mostram que o mercado está estruturalmente comprador de M&A — mas com caixa que não acompanha o apetite declarado.

EUA em 2025: o Maior Ano de M&A da História do Wealth Management

Para contextualizar o mercado brasileiro, o comparativo com os Estados Unidos é referência obrigatória. Em 2025, a ECHELON Partners registrou 466 transações de M&A entre RIAs americanas — crescimento de 27% em relação às 366 de 2024 e o maior volume já registrado. A DeVoe & Company, com metodologia mais restrita, contabilizou 322 transações, alta de 18%. Pela primeira vez na história, todos os quatro trimestres de 2025 superaram 100 deals — o que confirma que o mercado americano atingiu velocidade de cruzeiro estrutural, não picos episódicos.

O volume de transações nos EUA cresceu a uma taxa composta anual de 17,8% nos últimos cinco anos. Os maiores deals de 2025 incluem a aquisição da Commonwealth Financial pela LPL Financial por US$2,7 bilhões (2.900 advisors, US$285 bilhões em AUM), a compra da Lincoln Financial pela Bain Capital por US$321 milhões — o maior deal direto de PE na indústria — e a fusão da SageView Advisory com a Creative Planning, combinando mais de 550 advisors e US$640 bilhões em ativos.

Para o mercado brasileiro, a trajetória americana é uma antecipação. Os dados de consolidação setorial indicam que o Brasil em 2025 está na mesma curva que os EUA percorreram entre 2015 e 2018 — com atraso de aproximadamente uma década. O que isso significa na prática: o volume de 21 operações em 2025 no Brasil está onde os EUA estavam antes do Private Equity descobrir a indústria e multiplicar o volume por mais de 5x em menos de dez anos.

A Projeção do Mercado e o Status de Execução em Março de 2026

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Em agosto de 2025, a AAWZ projetou ao NeoFeed que ocorreriam aproximadamente 40 aquisições entre janeiro de 2025 e junho de 2026, consolidando entre R$50 e R$75 bilhões em custódia — com cerca de 30 mandatos ativos na praça. Filipe Medeiros, sócio da AAWZ Partners, destacou uma “janela de 24 meses” para a conclusão desses negócios — e os dados de fechamento de 2025 confirmaram o ritmo projetado.

O status de execução em março de 2026 mostra: 21 operações concluídas em 2025 (média de 5,25 deals por trimestre), com projeção de mais 10 operações no primeiro semestre de 2026. O total projetado até junho de 2026 é de aproximadamente 31 deals — taxa de execução de 78% sobre a projeção original de 40 aquisições. Isso representa resultado robusto considerando as condições de mercado, com aproximadamente R$10 bilhões já consolidados e cerca de R$50 milhões de caixa consumidos em upfronts.

O que o Volume de M&A Muda para Escritórios que Não Foram Adquiridos

Para escritórios independentes que não participaram do ciclo de M&A até agora, o dado de 21 operações em 2025 tem implicação prática direta. A consolidação reduz o número total de CNPJs ativos no mercado — assessorias maduras estão absorvendo operações menores, e essa tendência se acelera à medida que o mercado ganha players com backing de plataforma ou capital estratégico.

O efeito competitivo é concreto: escritórios que passam por M&A com uma corretora ou plataforma ganham acesso a recursos — capital de captação, tecnologia, suporte de compliance — que escritórios puramente independentes precisam financiar com receita própria. A diferença de escala se amplia com o tempo, e o custo de operação relativo aumenta para quem cresce sem parceiro estratégico.

O dado da corrida dos R$100 bilhões adiciona outra camada: os compradores mais ativos no mercado precisam de M&A para cumprir suas metas. Isso significa demanda estrutural por ativos — escritórios com custódia, governança e compliance organizados continuarão sendo procurados ativamente. Para escritórios que estão preparando uma saída futura, o pipeline de compradores é o mais robusto da história do setor. A questão é em qual múltiplo — e sobre o contexto das ondas de M&A, a terceira onda, em curso agora, comprime múltiplos mais do que as anteriores.

Perguntas Frequentes sobre M&A em Assessoria de Investimentos

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As perguntas abaixo reúnem as principais dúvidas de sócios de escritórios sobre o ciclo de M&A em curso no mercado de assessoria de investimentos. As respostas são fundamentadas nos dados do Relatório M&A AAWZ 1T 2026.

Quantas operações de M&A aconteceram no mercado de assessoria em 2025?

Segundo a consolidação setorial da AAWZ, foram 21 operações de M&A entre assessorias de investimentos no Brasil em 2025 — crescimento de 91% em relação às 11 de 2024. A atividade foi consistente em todos os quatro trimestres (6 no T1, 3 no T2, 6 no T3 e 6 no T4), sugerindo maturação estrutural do mercado. Desde o terceiro trimestre de 2020, foram registradas 91 movimentações no setor, envolvendo mais de 78 assessorias distintas.

Qual é o volume de M&A projetado para 2026?

A projeção atualizada em março de 2026 aponta para mais ~10 operações no primeiro semestre de 2026, totalizando ~31 deals até junho — taxa de execução de 78% sobre a projeção original de 40 aquisições entre jan/2025 e jun/2026. O mercado americano, que serve como referência de trajetória, projeta volume que pode rivalizar ou superar o recorde de 466 deals em 2025, com 54% dos líderes de RIA esperando aumento no volume de M&A nos próximos 12 meses.

O que está impulsionando o M&A no mercado de assessoria em 2025?

O principal driver é a pressão por crescimento inorgânico das assessorias que declararam metas públicas de custódia. O levantamento da AAWZ mapeou 12 assessorias com metas que somam R$1,235 trilhão — superior ao mercado B2B inteiro (R$1,02 trilhão). O crescimento orgânico projetado não fecha o gap, criando demanda estrutural por aquisições. A entrada do Itaú no canal B2B em 2025 adiciona outra camada: escritórios XP com grande custódia passaram a ter alternativa de plataforma, pressionando a XP a consolidar os maiores escritórios via participação societária.

Como saber se o momento atual é bom para vender participação do escritório?

O momento atual é a terceira onda de M&A no setor, caracterizada por múltiplos mais comprimidos do que as ondas anteriores (2020-2021 e 2024-2025). A primeira onda ofereceu os maiores prêmios; a terceira é marcada por compradores mais seletivos e exigências de due diligence mais rigorosas. Se o objetivo é encontrar parceiro estratégico para escalar, a janela ainda existe. Se o objetivo é capturar prêmio máximo de valuation, o momento mais favorável já passou. O timing deve ser avaliado em função dos objetivos específicos do sócio — não apenas do ciclo de mercado.

Quais assessorias estão comprando mais no mercado brasileiro?

Corretoras e escritórios médios-grandes são os principais compradores no ciclo atual. A XP comprou participação em Faro Capital, Monte Bravo, Blue3, SVN e outros escritórios médios, totalizando aproximadamente R$300 bilhões em custódia — cerca de 40% do próprio canal B2B da plataforma. O padrão é de compradores com backing de plataforma ou capital estratégico, em operações motivadas tanto por crescimento quanto por retenção defensiva de canal frente à entrada de novos concorrentes no mercado B2B.

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